quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Tal luz a pouco apagada, mostra quando acesa um cômodo vazio e meu reflexo no vidro, está escuro lá fora, conheço tal vazio, meus chamados não tinham resposta. Abri a janela e a brisa me envolveu de diferentes formas, me fazendo revirar o passado e reviver sentimentos um pouco esquecidos. Um perfume vem junto do vento, ele é familiar e tem um cheiro de persistência, tal vento me trouxe esperanças luminosas e acaloradas como um abraço em pêlo. De repente não há mais frio.
E mais uma vez insisto, num momento deliro imaginando que a realidade nada mais é que uma máscara e que ela tomba à nossa vontade. Te imagino correndo ao meu encontro, quebrando regras em nome da gente, e sem pensar no amanhã, fugimos.
Mais intenso que teu cheiro e teu beijo em minha memória é o amor que sinto por ti e que não cabe no espaço de algumas horas na tua companhia. Tantas coisas pra falar, e da boca só sai um "eu te amo" ao pé do ouvido, acompanhado de um beijo no pescoço que não traduzem tudo o que sinto por ti.
Um verdadeiro "eu te amo" é feito de atos, a boca fala o que o cérebro manda, já um olhar sinceramente apaixonado vem do coração.
Era só uma bela mulher passando na rua, me apaixonei, imaginei seu nome, o que gosta de fazer, imaginei o nosso futuro juntos e vi nosso relacionamento acabar, ela virou a esquina.
A luz, a luz é para me ver, maltratado na má índole do mundo, desespero profundo sem razão, no fundo egoísmo, prometi a mim mesmo acabar com isso. Esse sou eu, agora.
Quem é eu não sei, me manda descrever o prazer de atacar o papel com seus traços, cujo propósito é unicamente o de se expressar, é intenso, sei que é o único, pois meus traços se confundem com o dele, mas afinal, quais são os meus? Acabei me separando um pouco dele, hoje se expressou um pouco,quis mais, muito mais, não só o desenho, mas também as palavras, confundiu minha mente e minha visão. Quem é você? Não quero a resposta, só quero que continue comigo, eu gosto.
"criava então ela um pseudônimo, tal qual artista, mas sua obra passava longe de ser bela, não, tinha uma certa sutileza, calculista ela foi, é de se admirar. Não a vergonha, não, o que a incentivava a se esconder era o gosto da vitória que havia deixado doces resquícios, agradáveis ao seu sensível paladar insensível, gosto que desejava ela experimentar outras vezes."
"Todas as infinitas linhas que compõem o universo atraem minha atenção para a energia que transportam, feixes pulsantes de eletricidade, pura e limpa, clara e rápida, que nos atravessa sem que percebamos. Nossos olhos materiais ligados na cobiça são cegos à beleza do mundo invisível, do sentir, do escutar, e então choramos sem razão. Pobres, fechem os olhos, digo eu, percebam, toquem, sintam a energia celeste presente em qualquer objeto ou ser do nosso plano." Não sinto mais, durmo.
Tá tudo tão maleável ao meu redor,tudo me rodeia sem me tocar, a não ser o vento frio que vem pra me lembrar do meu estado, essa musica não ajuda,mas me relaxa, me pergunto se no fundo todos são assim, tendo necessidade de alguem só para demonstrar o que sente, depositar esperanças e compartilhar alegrias, mesmo que a experiencia me mostre que são poucos os que pensam da mesma forma, sei que as pessoas no fundo, no fundo procuram alguem para passar o resto da vida juntos.